A cólica menstrual é causada pelas prostaglandinas, substâncias que fazem o útero contrair no início da menstruação. Em cerca de 90% dos casos ela não tem doença por trás. Calor local, exercício regular e anti-inflamatórios com orientação médica têm as melhores evidências de alívio. Cólica que não melhora, começa depois dos 25 anos ou vem com dor na relação pede avaliação para endometriose.
O que é cólica menstrual?
A cólica menstrual, chamada de dismenorreia pelos médicos, é uma dor no baixo ventre que acontece pouco antes ou durante a menstruação e pode irradiar para as costas e as coxas. Ela atinge de 16% a 91% das mulheres em idade reprodutiva, e a dor é intensa em 2% a 29% delas (StatPearls).
O impacto vai além do desconforto. Segundo a mesma fonte, a cólica responde por 12% das faltas mensais à escola ou ao trabalho e afeta a qualidade de vida de 16% a 29% das mulheres. Em cerca de 90% dos casos, é a chamada cólica primária, sem nenhuma doença por trás.
Por que a cólica acontece?
A cólica acontece por causa das prostaglandinas, substâncias liberadas pelo revestimento do útero no início da menstruação. Elas fazem o útero contrair para eliminar esse revestimento, e a intensidade da dor acompanha a quantidade liberada (StatPearls). As contrações reduzem a oxigenação do músculo, o que explica a dor e, às vezes, náusea e diarreia.
A cólica primária costuma começar até cerca de dois anos depois da primeira menstruação, quando os ciclos passam a ter ovulação. A dor aparece poucas horas antes ou no início do sangramento, atinge o pico entre 23 e 48 horas e geralmente dura no máximo 72 horas. As mudanças hormonais que antecedem esse momento estão em Fase lútea e TPM: como o corpo se prepara para menstruar.
Qual a diferença entre cólica primária e secundária?
A cólica secundária é a dor menstrual causada por uma alteração no útero ou na pelve, como endometriose, adenomiose ou miomas. Ela atinge até 10% das mulheres no mundo (StatPearls).
| Critério | Cólica primária | Cólica secundária |
|---|---|---|
| Causa | Prostaglandinas, sem doença associada | Endometriose, adenomiose, miomas, pólipos, inflamação pélvica |
| Quando começa | Até cerca de dois anos depois da primeira menstruação | Costuma começar mais tarde, muitas vezes depois dos 25 anos |
| Duração da dor | Pico entre 23 e 48 horas, até 72 horas | Pode durar mais e aparecer fora da menstruação |
| Sintomas junto | Náusea, diarreia, dor nas costas | Dor na relação, dor ao urinar ou evacuar, sangramento intenso ou irregular |
| Resposta ao tratamento | Costuma melhorar com anti-inflamatórios e calor | Muitas vezes não melhora com o tratamento inicial |
Fonte da tabela: StatPearls.
O que ajuda a aliviar a cólica?
As formas de alívio da cólica são abordagens com níveis diferentes de evidência, e muitas mulheres combinam mais de uma.
| Abordagem | O que a pesquisa mostra | Certeza da evidência | Fonte |
|---|---|---|---|
| Calor local, como bolsa térmica | Reduz a dor em comparação com nenhum tratamento e tem eficácia comparável à dos anti-inflamatórios, com menos efeitos adversos | Baixa para dor, moderada para efeitos adversos | Frontiers in Medicine, 2025 |
| Exercício regular | Redução de cerca de 25 pontos numa escala de dor de 100 | Baixa | Cochrane, 2019 |
| Anti-inflamatórios não esteroides | Primeira linha entre os medicamentos; funcionam melhor quando começam 1 a 2 dias antes da dor | Indicação de referência clínica | StatPearls |
| Anticoncepcionais hormonais | Reduzem a dor em quem também deseja contracepção | Indicação de referência clínica | StatPearls |
| Suplementos alimentares | Nenhum com evidência de alta qualidade | Baixa a muito baixa | Cochrane, 2016 |
A revisão sobre calor reuniu 57 ensaios clínicos com 5.359 participantes (Frontiers in Medicine, 2025). A revisão Cochrane sobre exercício incluiu 12 estudos com 854 mulheres, a maioria com sessões de 45 a 60 minutos, pelo menos três vezes por semana (Cochrane). Os medicamentos, inclusive os hormonais, devem ser escolhidos com a ginecologista, porque cerca de 20% das mulheres não respondem aos anti-inflamatórios (StatPearls).
Cólica forte pode ser endometriose?
A endometriose é uma doença em que um tecido parecido com o revestimento do útero cresce fora dele, e a cólica intensa é um dos seus principais sinais. Até 29% das mulheres com cólica podem ter endometriose, e entre as que não melhoram com anti-inflamatórios essa proporção pode chegar a 35% (StatPearls).
O Ministério da Saúde estima que 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva tenha endometriose, e que o diagnóstico leve em média sete anos desde o início dos sintomas (Rede D’Or, citando o Ministério da Saúde). Parte dessa demora vem da ideia de que cólica forte é normal. Dor que impede atividades não deve ser tratada como parte esperada do ciclo.
Quando procurar a ginecologista por causa da cólica?
A consulta por cólica é indicada sempre que a dor atrapalha a rotina ou muda de padrão. O StatPearls lista como sinais que pedem investigação de uma causa secundária (StatPearls):
- cólica que começou depois dos 25 anos;
- dor que não melhora com o tratamento inicial;
- dor na relação, ao urinar ou ao evacuar;
- sangramento intenso ou irregular;
- dificuldade para engravidar;
- corrimento com cheiro forte ou aspecto acinzentado ou purulento.
Dor muito forte e súbita, com febre, desmaio ou sangramento intenso, pede atendimento imediato. Registrar as datas e a intensidade da dor ajuda a ginecologista a entender o padrão. Os cuidados com a região íntima nesses dias estão em Menstruação e higiene íntima: como manter o equilíbrio.
Importante: Os produtos da Dita Cuja são cosméticos e suplementos, aliados da higiene, do conforto e do equilíbrio da microbiota. Eles não tratam, não curam e não previnem a cólica menstrual, a endometriose ou qualquer outra condição. Diante de sintomas persistentes, procure uma ginecologista.
Perguntas frequentes
Cólica menstrual é normal?
É comum, mas não precisa ser aceita sem cuidado. A cólica atinge de 16% a 91% das mulheres em idade reprodutiva, segundo o StatPearls, e em cerca de 90% dos casos não há doença por trás. Dor que impede atividades, não melhora com tratamento ou piora com o tempo precisa ser investigada pela ginecologista.
Quanto tempo dura a cólica menstrual?
A cólica primária costuma começar poucas horas antes ou no início do sangramento, atinge o pico entre 23 e 48 horas e geralmente dura no máximo 72 horas, segundo o StatPearls. Dor que se estende além desses dias, aparece fora da menstruação ou muda de padrão merece avaliação, porque pode ter outra causa.
Bolsa de água quente funciona para cólica?
Funciona para muitas mulheres. Uma revisão de 57 ensaios clínicos com 5.359 participantes encontrou redução da dor com calor local em comparação com nenhum tratamento, e eficácia comparável à dos anti-inflamatórios, com menos efeitos adversos. A certeza da evidência ainda é baixa, mas o calor é seguro quando a temperatura não queima a pele.
Exercício ajuda na cólica menstrual?
Ajuda. Uma revisão Cochrane com 12 estudos e 854 mulheres encontrou redução de cerca de 25 pontos numa escala de dor de 100 com exercício regular, como alongamento, yoga ou treino aeróbico, em geral três vezes por semana. A qualidade da evidência é baixa, mas o exercício tem poucos riscos e outros benefícios.
Magnésio ajuda na cólica menstrual?
A evidência é fraca e mista. Uma revisão Cochrane antiga reuniu três estudos pequenos, com 98 mulheres: dois mostraram alívio maior que o placebo e um não mostrou diferença. A ANVISA também não autoriza nenhuma alegação de magnésio para cólica ou câimbra. Para dor forte, o caminho é conversar com a ginecologista.
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