DIU e corrimento: o que é esperado em cada tipo

DIU e corrimento: o que é esperado em cada tipo

O DIU pode mudar o corrimento, e o tipo importa. O DIU de cobre está associado a maior diversidade bacteriana e redução de lactobacilos, principalmente nos primeiros seis meses. O DIU hormonal não mostrou aumento de vaginose, mas um estudo brasileiro com mais de 1.100 usuárias encontrou mais candidíase e citólise após dois anos. Mudança com odor, coceira ou dor merece avaliação.

Depois de colocar o DIU, muita mulher passa a reparar mais no próprio corpo. Um corrimento diferente, um cheiro que não existia, um sangramento fora de hora. E vem a dúvida: é o DIU ou é outra coisa?

Às vezes é o DIU. Os estudos mostram que ele pode mexer com a microbiota vaginal, e que o cobre e o hormonal fazem isso de formas diferentes. Saber o que cada um costuma provocar ajuda a separar o esperado do que precisa de consulta.

Quais são os tipos de DIU?

O DIU é um dispositivo intrauterino de longa duração, colocado dentro do útero pela ginecologista, que atua como método contraceptivo por anos. No Brasil existem dois grupos principais.

O DIU de cobre não tem hormônio. Ele age pela liberação de íons de cobre dentro do útero, o que torna o ambiente desfavorável aos espermatozoides. O DIU hormonal libera levonorgestrel, um progestagênio, em pequena quantidade e diretamente no útero.

Os dois têm fios que ficam no fundo da vagina, usados para checagem e para a retirada. E os dois têm efeitos diferentes sobre sangramento, cólica e microbiota, que é o que importa para o corrimento.

O DIU de cobre muda o corrimento?

A microbiota vaginal é o conjunto de microrganismos residentes, com predomínio de lactobacilos, que mantém o ambiente ácido e o corrimento com aspecto habitual. O DIU de cobre é o tipo com mais evidência de interferência nesse equilíbrio.

Um estudo randomizado publicado na Nature Communications em 2023 acompanhou 218 mulheres e comparou o DIU de cobre com métodos hormonais. As usuárias do DIU de cobre apresentaram maior diversidade bacteriana já no primeiro mês, que aumentou até o sexto mês, com redução de lactobacilos e aumento de bactérias associadas à vaginose. Em laboratório, o cobre inibiu o crescimento do Lactobacillus crispatus, uma das espécies mais protetoras.

Um detalhe importante do mesmo estudo: apesar da mudança na microbiota, a incidência de vaginose diagnosticada não foi significativamente diferente entre os grupos. Mudança na microbiota não é sinônimo de doença.

Uma revisão integrativa de 2023 chegou a conclusão semelhante: os resultados são mistos, mas pode haver aumento de vaginose entre usuárias de DIU, especialmente nos primeiros seis meses com o de cobre. Mulheres que já tinham microbiota intermediária antes da colocação podem ter risco maior.

Fontes: Brown et al., Nature Communications, 2023 e Bakus et al., Nursing for Women's Health, 2023

E o DIU hormonal?

O DIU hormonal é o dispositivo que libera levonorgestrel diretamente no útero. Os dados atuais não mostram aumento de vaginose entre as usuárias.

O perfil é outro. Um estudo brasileiro feito no Nordeste entre 2012 e 2017 comparou 1.179 usuárias de DIU hormonal, 519 de DIU de cobre e 14.616 mulheres sem contracepção, a partir de exames citológicos. O DIU de cobre foi associado a vaginose e à presença de Actinomyces. O DIU hormonal foi associado a candidíase e citólise, especialmente depois de dois anos de uso.

Citólise é a quebra excessiva de células da mucosa, que pode produzir corrimento branco e sensação de ardência. É um quadro diferente da candidíase, embora os sintomas se pareçam.

O mesmo estudo observou que a presença de Actinomyces foi bem mais frequente depois de dois anos de uso do DIU de cobre, 17,8% contra 3,9% antes desse tempo. Os autores concluem que os dois tipos não aumentam alterações celulares, mas interferem na microbiota ao longo do tempo.

Fonte: Liquid-based cervical cytology and microbiological analyses in women using copper IUD and LNG-IUS, European Journal of Obstetrics & Gynecology, 2020

DIU de cobre DIU hormonal
Hormônio Nenhum Levonorgestrel, liberado no útero
Efeito na microbiota Mais diversidade bacteriana e menos lactobacilos nos primeiros meses Sem aumento de vaginose documentado
Associação encontrada em estudo brasileiro Vaginose e Actinomyces Candidíase e citólise, principalmente após dois anos
Fase de maior atenção Primeiros seis meses Uso prolongado
Padrão de sangramento Costuma aumentar fluxo e cólica Costuma reduzir o fluxo, com escapes no início
Aspecto do corrimento a observar Acinzentado, fino, com odor acentuado Branco espesso, com coceira ou ardência

A tabela descreve tendências observadas em estudos, não o que vai acontecer com você. Muitas mulheres usam os dois tipos por anos sem nenhuma alteração perceptível.

O que é esperado logo depois da colocação?

A fase de adaptação é o período dos primeiros meses de uso, em que o corpo ainda está se ajustando ao dispositivo. Alterações nessa fase são comuns e costumam diminuir com o tempo.

Mudanças no padrão de sangramento são descritas para os dois tipos e estão entre os motivos mais frequentes de retirada no primeiro ano. Com o de cobre é comum menstruação mais intensa e mais cólica. Com o hormonal é comum sangramento irregular e escapes nos primeiros meses, que tendem a diminuir.

Sangramento e escape deixam o ambiente vaginal menos ácido, porque o sangue tem pH mais alto. Isso pode mudar o aspecto e o cheiro do corrimento nesses dias, sem que haja nada errado.

A consulta de revisão depois da colocação é o momento de levar qualquer dúvida. Ela existe justamente para isso.

Fonte: Discontinuation rates of intrauterine contraception due to unfavourable bleeding: a systematic review

Quando o corrimento com DIU merece atenção?

O sinal de alerta é a mudança persistente no corrimento acompanhada de outro sintoma. Corrimento diferente sozinho, sem incômodo, costuma ser observação para a próxima consulta.

Procure avaliação quando houver:

  • Corrimento acinzentado e fino com odor forte, que persiste depois do banho
  • Corrimento branco espesso com coceira ou ardência
  • Corrimento amarelado ou esverdeado
  • Dor na relação que não existia antes

Procure atendimento com urgência quando houver:

  • Febre junto com dor na parte baixa do abdômen
  • Dor pélvica forte ou que piora
  • Corrimento com odor muito forte acompanhado de mal-estar
  • Sensação de que o DIU saiu do lugar, fios que você não sente mais ou que parecem mais longos
  • Sangramento muito intenso

Esses sinais podem indicar infecção pélvica ou deslocamento do dispositivo, e os dois precisam de avaliação rápida.

Como cuidar da higiene com DIU?

A higiene íntima com DIU é a mesma de qualquer mulher: externa, suave e sem lavagem interna. O dispositivo fica dentro do útero e não exige cuidado especial por fora.

  • Lavar apenas a vulva, uma a duas vezes ao dia, com produto de pH compatível. A Espuma Prebiótica foi desenvolvida para a higiene íntima externa diária e contribui para a manutenção do pH fisiológico e do equilíbrio da microbiota local
  • Não fazer ducha interna, que remove a secreção protetora e pode atrapalhar ainda mais a microbiota
  • Trocar absorvente com frequência nos dias de sangramento mais intenso
  • Preferir calcinha de algodão
  • Conversar com a ginecologista antes de usar coletor ou disco menstrual, porque existe risco de deslocar o DIU

Nos dias de escape, quando o banho não é possível, o Lenço Íntimo Probiótico resolve a higiene externa de forma prática.

A questão do coletor com DIU está explicada em Absorvente, coletor ou disco: o que muda na microbiota.

Os produtos da Dita Cuja são cosméticos, aliados da higiene, do conforto e do equilíbrio da microbiota. Eles não tratam, não curam e não previnem vaginose, candidíase, infecções ou qualquer outra condição. Diante de sintomas persistentes, procure uma ginecologista.

Perguntas frequentes

O DIU aumenta o corrimento?
Pode alterar. O DIU de cobre está associado a mais diversidade bacteriana e menos lactobacilos nos primeiros meses, o que pode mudar aspecto e odor. O DIU hormonal não mostrou aumento de vaginose, mas foi associado a candidíase e citólise após dois anos em estudo brasileiro. Muitas mulheres não percebem mudança nenhuma.

Qual DIU mexe mais com a microbiota?
O de cobre tem mais evidência de interferência. Um estudo randomizado de 2023 com 218 mulheres mostrou aumento de diversidade bacteriana e redução de lactobacilos já no primeiro mês de uso. Mesmo assim, a incidência de vaginose diagnosticada não foi significativamente diferente entre os grupos comparados.

É normal ter corrimento com cheiro depois de colocar o DIU?
Mudança de odor nos dias de sangramento ou escape é comum, porque o sangue deixa o ambiente menos ácido. Odor forte que persiste depois do banho, principalmente com corrimento acinzentado e fino, merece avaliação. Evite ducha interna, que piora o quadro.

Posso usar coletor menstrual com DIU?
Converse com a ginecologista antes. A revisão sobre coletores menstruais publicada no Lancet Public Health em 2019 registra que eles podem deslocar o DIU. A orientação depende do tipo de DIU, do tempo de colocação e da anatomia de cada mulher.

Quando devo procurar atendimento com urgência?
Quando houver febre com dor na parte baixa do abdômen, dor pélvica forte ou que piora, corrimento com odor muito forte e mal-estar, sangramento muito intenso ou sensação de que o DIU saiu do lugar. Esses sinais precisam de avaliação rápida.

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